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Economia

Tesouro Direto: taxas alcançam maior patamar em um ano após divisão no Copom

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Mudança acompanha alta dos juros com indicações sobre mudanças no perfil do Banco Central a partir de 2025

Taxas do Tesouro Direto tiveram um salto nesta quinta-feira (9) e algumas opções atingiram maiores altas em mais de um ano, acompanhando a alta generalizada dos juros após decisão bastante apertada do Banco Central (BC) na redução da Selic e indicações sobre mudanças no perfil da autoridade monetária a partir de 2025.

Os papéis IPCA+, opções vinculadas à inflação, apresentaram os maiores avanços, com todos os contratos encerrando acima de 6%. Há um ano, as opções pagavam média de 5,5%.

O título com vencimento em 2029 fechou a sessão com taxas em 6,09%, a mais pressionada desde fevereiro de 2023, enquanto o IPCA+ 2035 foi a 6,15% — valor não visto desde abril do ano passado.

As taxas dos contratos com fim em 2045, opção mais longa entre os títulos de IPCA, foram a 6,11%, patamar mais elevado em quase sete meses.

Vale lembrar que o movimento das taxas é inversamente proporcional ao dos preços, ou seja, quanto maiores os juros, mais desvalorizados ficam os títulos.

Entre as opções prefixadas, o contrato até 2027 — o mais curto disponível no Tesouro Direto —, encerrou com taxa de 10,90%, já os títulos que encerram em 2031 subiram 11,73%. Ambos contratos encostaram nas máximas vistas em meados do mês passado.

Analistas ouvidos pela CNN pontuam que o cenário reflete o desconforto do mercado com a decisão estreita entre os membros do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, que decidiu na véspera corte de 0,25 ponto percentual (p.p.), rebaixando a Selic em 10,50% ao ano.

Dos nove votantes, cinco se inclinaram para corte de 0,25 ponto, todos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, incluindo o presidente Roberto Campos Neto.

Já outros quatro diretores, nomeados pela atual gestão de Lula, votaram a favor da manutenção do ritmo de 0,50 ponto que estava sendo praticado desde o início do atual ciclo de cortes, em agosto do ano passado.

Além do placar dividido, Octavio Gomes, especialista em mercado de capitais e sócio da AVG Capital, também cita o recado do BC sobre a preocupação fiscal e as alterações das expectativas da inflação para 2024 e 2025.

“As taxas do Tesouro já abriram o dia precificando esse cenário de descontrole fiscal, onde os juros de longo prazo são aumentados e o Banco Central fica impedido de derrubar a Selic por conta do risco de desvalorização cambial e de um aumento ainda maior no prêmio de risco nos juros de longo prazo”, cita.

Para Daniel Miraglia, economista-chefe da Integral Group, a reação do mercado foi além do esperado, e um movimento de acomodação deve ser observado nas próximas sessões, sobretudo após dados do IPCA de abril que serão publicados nesta sexta-feira (10).

“No médio prazo, a gente acredita que não terá grandes impactos, principalmente se tivermos um IPCA dentro ou abaixo das expectativas”, diz.

CNN

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