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Economia

Site The Intercept, de Glenn Greenwald, está perto de quebrar

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Uma década após sua criação, o site norte-americano The Intercept enfrenta uma crise que vai além das questões financeiras. Em 2022, perdeu o apoio do fundador e financiador bilionário, Pierre Omidyar. Desde então, tem enfrentado problemas administrativos, disputas internas e uma queda na credibilidade.

Fundado em 2014 por Omidyar, criador do eBay, o projeto tinha como objetivo ser um bastião do jornalismo independente. “Um lugar para responsabilizar as corporações e os governos mais poderosos do mundo”, diz um de seus slogans. A equipe inicial incluía os jornalistas Glenn Greenwald, Laura Poitras e Jeremy Scahill.

Disputas internas e má administração foram apontadas por ex-colaboradores como causas da decadência do Intercept. A incapacidade de finalizar tarefas simples, como a aprovação de orçamentos, e as frequentes trocas de gestores minaram a eficiência da redação.

O desejo de Omidyar de “desenvolver meios para revitalizar a privacidade virtual” foi comprometido com o caso de Reality Winner. Esta última, ex-analista da Agência de Segurança Nacional (NSA), foi presa após vazar documentos ao Intercept. O site, ao verificar a autenticidade dos dados com a NSA, expôs informações cruciais, como a data e o local onde a cópia foi impressa. Reality foi condenada, em 2018, a mais de cinco anos de prisão. “Minha intenção era expor a verdade, mas acabei sendo exposta e penalizada por isso”, afirmou Winner ao site The Record. Especialistas criticaram a falha do Intercept em proteger suas fontes.

“A ironia amarga é que um site que se orgulha de defender os informantes, na verdade, expôs alguns deles ao perigo”, afirmou a advogada Jesselyn Radack, que atua em processos do gênero, em entrevista ao site Politico.

A saída de grandes nomes, como Glenn Greenwald em 2020 e Laura Poitras em 2022, agravou a situação. Greenwald alegou censura interna, após tentarem reduzir o tamanho de uma reportagem sua sobre Hunter Biden. Já Poitras foi demitida depois de criticar a proteção das fontes. “Um campo minado de interesses e agendas pessoais”, descreveu Jeremy Scahill.

No final de 2022, Omidyar interrompeu o financiamento, alegando novas prioridades filantrópicas. O Intercept passou a depender de doações de leitores e outras formas de financiamento externo. Segundo o site Semafor, a organização perde cerca de US$ 300 mil por mês e pode ficar sem dinheiro até maio de 2025. Em fevereiro, 30% dos colaboradores foram demitidos. A CEO, Annie Chabel, afirmou que essa projeção é o pior cenário possível e que há um plano para aumento de receitas. As doações dobraram recentemente, principalmente após a cobertura anti-Israel dos ataques do grupo terrorista Hamas em 7 de outubro de 2023. A cobertura atraiu uma parcela da esquerda, mas as doações são pequenas. Democratas moderados, que tradicionalmente apoiariam o site, têm se afastado devido à sua posição radical. O Intercept Brasil, separado da matriz norte-americana em 2022, também enfrenta dificuldades financeiras e lançou uma campanha de arrecadação em maio.

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